domingo, 24 de julho de 2016

Línguas do céu


As premissas de todo cessacionista se baseiam basicamente em a) Todas as línguas do Novo Testamento são humanas. b) Nenhuma língua atual é linguagem humano, portanto c) as línguas já não são mais um dom concedido a Igreja pelo Espirito Santo. 

Sam Storms (calvinista carismático assim como Jonh Piper) em seu livro "Dons espirituais" diz ter conversado com muitas pessoas que falam de situações inegáveis, em que muitas vezes no campo missionário, crentes falaram em uma língua humana genuína, sem ter tido qualquer exposição anterior a ela e sem jamais estudá-la. Estou inclinado a acreditar nessas pessoas. Mas a questão mais importante é saber se a premissa inicial dos cessacionistas está correta, ou seja, todas as línguas do Novo testamento eram uma linguagem humana ?

O único texto em que falar em línguas consiste em falar em línguas estrangeiras anteriormente desconhecidas porque aquele que as fala é Atos 2. Esse é um texto importante, mas não há qualquer razão para pensar que Atos 2- em vez de digamos, 1 Coríntios 14- é o padrão pelo qual todas as ocorrências do falar em línguas também devem ser julgadas obrigatoriamente. Outros fatores sugerem que as línguas também poderiam ser uma fala celestial. 

Pra começar, se o falar em línguas é sempre uma língua estrangeira que serve de sinal para os incrédulos, porque as línguas descritas em Atos 10 e Atos 19 são faladas na presença somente de crentes?! Note, também, que Paulo descreve vários tipos {ou "espécies"} de línguas (gene glosson) em 1 Coríntios 12.10. É improvável que ele estivesse falando de uma variedade de línguas humanas diferentes, pois quem jamais teria argumentado que todas as línguas eram apenas idiomas humanos, como grego, alemão ou hebraico ? Suas palavras sugerem a existência de categorias de falar diferentes, talvez linguagens humanas e linguagens celestiais. 

Em 1 Coríntios 14.2 "não fala aos homens, mas a Deus". Mas se as línguas são sempre idiomas humanos, Paulo está enganado, pois "falar aos homens, é precisamente o que a linguagem humana faz! Se o falar em línguas é sempre em um idioma humano, como Paulo poderia dizer "... ninguém o entende" (1 Cor. 14.2). Se as línguas são idiomas humanos, muitos poderiam entende-las, como aconteceu no Pentecostes em Atos 2.8-11. Isso se aplicaria principalmente a Corinto, uma cidade portuária cosmopolita multilíngue, frequentada por pessoas de numerosos dialetos. Além disso, se o falar em línguas é sempre uma linguagem humana, então o dom de interpretação seria aquele para o qual, não seria necessária qualquer operação, capacitação ou manifestação especial do Espirito Santo. Qualquer pessoa multilíngue, como Paulo, seria capaz de interpretar as línguas faladas simplesmente em virtude de sua formação educacional.   

Gordon Fee citou evidencias em certas fontes judaicas antigas de que se acreditava que os anjos tinham suas próprias línguas ou dialetos celestiais e que, por meio do Espirito, alguém poderia fala-las. Fazemos menção em particular, ao Testamento de Jó, no qual as Três filhas de Jó colocam faixas celestiais dadas a elas como herança de seu pai, por meio das quais elas eram capacitadas a louvar a Deus em linguagens celestiais (ver Testamento de jó 48 a 50).  Forbes argumenta que " o que o Testamento fornece, são evidencias claras de que um conceito de línguas angelicais como um modo de louvor a Deus era um conceito aceitável em certos círculos. Como tal, ele é o nosso paralelo mais próximo da glossolalia. 

Alguns cessacionistas argumentam que 1 Cor. 14 10-11 prova que todas as línguas faladas também são humanas devido a analogia de Paulo. Mas o objetivo da analogia, é afirmar que as línguas funcionam do mesmo modo que línguas estrangeiras, não que as línguas são línguas estrangeiras. O argumento de Paulo é que o ouvinte é incapaz de entender as línguas sem interpretação, tanto quanto é incapaz de entender uma pessoa falando uma língua estrangeira. Se as línguas fossem uma língua estrangeira, não haveria necessidade de uma analogia. 

A declaração de Paulo em 1 Cor. 14-18 "falo em línguas mais que todos vocês" é uma evidencia de que as línguas não são idiomas estrangeiros. Como Grudem observou: " se elas fossem línguas estrangerias conhecidas que poderiam ser compreendidas por estrangeiros, assim como foi no Pentecostes, porque Paulo falaria mais que todos os Coríntios em particular, onde ninguém entenderia, em vez de falar na igreja, onde os visitantes poderiam entender?" Por fim, se o falar em línguas for sempre em linguagem humana, a declaração de Paulo em 1 Cor. 14:23 não seria necessariamente verdadeira. Qualquer descrente que conhecesse a língua falada, iria provavelmente concluir que o falante era muito culto e não louco.

Diego Vicente Fernandes

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